Rio Grande do Sul

REFORMA AGRÁRIA

Mulheres Sem Terra da região Sul participam de intercâmbio

Cerca de 120 assentadas e acampadas do RS, SC e PR trocaram experiências em três dias de encontro

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |

As mulheres estão ocupando todos os espaços. No Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) não é diferente. Assentadas e acampadas do Paraná, Santa Cataria e Rio Grande do Sul participaram do 1º Intercâmbio de Mulheres da região Sul, na região Metropolitana de Porto Alegre, no RS. O roteiro de três dias (29 a 31 de maio) incluiu visitação a cooperativas, feiras, padarias, grupos gestores, hortas e conhecimento da cadeia produtiva de alguns assentamentos. Como complemento foram realizados espaços de estudo sobre a Reforma Agrária Popular, patriarcado, certificação orgânica e a participação da mulher no MST.

“O objetivo principal do intercâmbio se dá no conhecer as experiências organizativas e produtivas do RS”, aponta Márcia Marcon, de SC, uma das organizadoras do evento. A partir dessa vivência as mulheres que participaram do intercâmbio, que levou o nome "Mulheres em Luta Semeando Resistência", puderam levar as experiências de produção e organizações para os seus estados. Márcia ainda destaca que o grupo de mulheres veio com um olhar mais direcionado, ou seja, ele busca uma participação mais efetiva tanto no âmbito organizativo, quanto no produtivo nos seus espaços.

Para a gaúcha Juliana Silva de Vargas, assentada na região das Missões, no Assentamento Conquista da Luta, em Itacurubi, esse intercâmbio possibilitou visualizar experiências que já existem dentro do Movimento e que deram certo. Para a Sem Terra que conquistou seu lote há pouco tempo, conhecer as conquistas de mais de trinta anos do MST é uma forma de fortalecimento. “Essa troca de experiência entre os estados é muito importante. São ideias que a gente pode ter para organizar as nossas produções lá em nossos assentamentos, com as que já estão concretas. Então a gente fica muito feliz por ver que dá certo”. Juliana reforça que a troca de conhecimento é uma forma de potencializar os diversos espaços em que as mulheres estão inseridas no Movimento.

Visitação na Coopan e agrovila de Nova Santa Rita. 

A catarinense Iraci Rodrigues de Lara veio do Assentamento Manuel Alves de Ribeiro, do município de Irineópolis, para participar do intercâmbio das mulheres. Integrante do MST há 30 anos, a Sem Terra sempre trabalhou com agroecologia. Atualmente, junto com seu companheiro, é guardiã de sementes crioulas. “Este intercâmbio é pra nós uma riqueza tão imensa, que a gente não tem dimensão do quanto as mulheres podem e são capazes”. Para ela, o encontro foi maravilhoso. “Nós estamos juntas buscando novos conhecimentos, novas experiências e construindo um processo de vida. Que é vida para a humanidade, que é vida para o planeta” finaliza a assentada.

Zeneide Veber do Nascimento é assentada na região Centro-Oeste do Paraná, no Assentamento Egídio Brunetto, em Rio Branco do Ivaí, e também dá destaque para a importância deste intercâmbio. “Foi uma experiência muito grande pra nós, como companheiras, estar hoje aqui visitando. A gente está levando isso para os nossos espaços, os nossos acampamentos, assentamentos, nas nossas bases. Conhecemos as cooperativas, conhecemos o todo. Nós não tínhamos noção do que era isso, porque cada estado tem o seu diferencial” destaca. Zeneide, como militante do MST, está muito feliz por ter vindo ao RS para participar do encontro, o qual, de acordo com ela, está proporcionando experiências que serão levadas adiante.

“Nos surpreendemos, saímos daqui com uma bagagem. Essa troca de experiência nos possibilita ter elementos e dizer que é possível desenvolver experiências nas nossas regiões, nos possibilita entender o contexto geral da agroecologia” ressalta Márcia. De acordo com a assentada, a partir dessa experiência, as mulheres estão propondo que aconteça novos intercâmbios na parte organizativa e na certificação de alimentos orgânicos.

Edição: Marcelo Ferreira