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Artigo | Pela circulação da vida, deixem as catadoras e catadores trabalharem!

Porto Alegre amarga retrocessos, calando vozes, matando a democracia, riscando da sua política a inclusão social

Porto Alegre | BdF RS |
Dona Eva, catadora por mais de 50 anos em Porto Alegre, hoje uma luz em nosso meio, que dizia: “Vamos fazer o bem para dividir bem, assim todos saímos ganhando” - Divulgação

Sou Alex Cardoso, catador de materiais recicláveis das ruas de Porto Alegre, atualmente atuo na Cooperativa ASCAT – Zona Sul, faço parte da equipe de articulação do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis. Sou também estudante universitário na UFRGS. Trago-lhes uma grande preocupação, solicitando seu apoio, sua manifestação. Deixo aqui meu Instagram @alextador para maiores informações. Por favor, ajude, apoie as catadoras e catadores mandando uma mensagem para a Câmara dos Vereadores de Porto Alegre, ligando para seu vereador. Ajude.

Porto Alegre foi a cidade referência em inclusão social e reciclagem, finalizando seu lixão em 1990 – para se ter ideia, atualmente há mais de 2 mil lixões ainda ativos no Brasil – e implantou a coleta seletiva com a inclusão dos catadores nesta década. A coleta seletiva foi quase inventada aqui. Na época, formou uma associação com os catadores do lixão e outras 11 com catadores de rua, os conhecidos catadores de papel, que juntos, à várias mãos, serviam como mãos da cidade em defesa da natureza, reciclando mais de 100 toneladas de resíduos por dia, com uma renda média de dois salários mês para cada catadora e catador. Um orgulho para a gestão pública, para a sociedade. Ser de Porto Alegre era uma verdadeira alegria.

A coleta seletiva logo se tornou referência para todo o continente, mas não pelo simples serviço de coleta, pois existiam outros modelos, mas sim pela inclusão social que impulsionava a cidade a discutir, emitir opinião, falar. As catadoras e catadores aprenderam a falar a língua do cooperativismo, da solidariedade, da democracia e da distribuição de renda em partes exatamente iguais. Lembro de Dona Eva, catadora por mais de 50 anos em Porto Alegre, hoje uma luz em nosso meio, que dizia: “Vamos fazer o bem para dividir bem, assim todos saímos ganhando”, exaltando sempre sua voz acompanhada de uma força feminina que urgia como rainha, garantindo sempre protagonismo. Conversas com prefeitos, diretores do DMLU, participação em eventos. Realmente tínhamos participação e estávamos incluídos na cidade, cidade que reciclava.

Atualmente Porto Alegre amarga retrocessos, calando vozes, matando a democracia, riscando da sua política a inclusão social, nem mesmo a coleta seletiva funciona bem. Nos últimos anos se dobrou a quantidade de resíduos gerados, tivemos o advento dos plásticos descartáveis e das latinhas de alumínio em nossas vidas, as comidas de tele entrega, ou seja, dobrou a geração de resíduos, e triplicou os investimentos em serviços. A coleta seletiva custa quase 900 mil reais por mês, mas mesmo diante disso, as organizações de catadores tiveram que fazer protestos em frente à prefeitura, ocupar a Câmara dos Vereadores, afeitar páginas de jornais pedindo resíduos para reciclar.

Realmente a prefeitura e sua máquina pública mudou. Os catadores excluídos, a educação ambiental encerrada, os contêineres caros (400 reais por mês cada um mais ou menos) nas ruas, parecendo mini-lixões e pra encerrar de vez esta etapa, bem em meio a pandemia, a Lei Melo, lei higienista, preconceituosa, altamente excludente e de requintes de ampliação da marginalidade dos catadores, lei do ex-vereador Sebastião Melo e atual pré-candidato à vice-prefeito, chega em seu prazo final. Se não mudar, sem pressão popular, o Estado então virá vestido, ou melhor, fardado de polícia e vai começar a prender excluídos por trabalhar. Primeiro os carrinhos, depois as pessoas. 

Não temos que ver as coisas acabarem assim, temos que agir, mesmo sem sair de casa. Temos que manifestar pela vida, pela democracia, pela vida das mulheres, 70% da categoria são mulheres e são chefes de família normalmente, sendo que quase 90% são negros, talvez aqui encontramos os pilares desta lei: Machismo e racismo, sendo mais das formas perversas desta lei, encontramos também mais motivos do porque ela deve ser combatida, revogada, jogada na lata de rejeitos e junto, o pré-candidato Sebastião Melo, este que a transformou em pauta para a cidade, sua cidade, a cidade do retrocesso.

O vereador Marcelo Sgarbossa, amigo das catadoras e catadores, já protocolou um projeto de lei para ampliar o prazo da proibição para mais quatro anos, requerendo recursos e projetos para uma transição da categoria para tecnologias populares que possam lhes garantir trabalho e dignidade, sendo uma forma de colocar em pauta na casa este importante debate. Entre nesta, se manifeste você também. Contamos com seu apoio.

Mande e-mails aos vereadores. Faça postagens em suas redes sociais em defesa das catadoras e catadores, apoie nossa luta e nosso direito à vida. Exija a revogação desta lei.  

Segue os e-mails dos vereadores. Mande mensagem em cópia para [email protected]

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* Equipe de articulação nacional do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis

Edição: Katia Marko