Rio Grande do Sul

Representatividade

Bruna Rodrigues é a primeira mulher negra a ocupar um Grande Expediente da ALRS

A deputada do PCdoB apresentou, em fala de 30 minutos, os desafios e perspectivas para as lutas das mulheres negras

Sul 21 |
" Sou filha de empregada doméstica que se tornou gari e que até hoje é trabalhadora da limpeza urbana de Porto Alegre. Sou uma das inúmeras filhas das políticas sociais” - Foto: Paulo Garcia/Agência ALRS

Nesta quinta-feira (16), a deputada estadual Bruna Rodrigues (PCdoB) subiu à tribuna da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) para realizar seu primeiro Grande Expediente. Ela foi a primeira mulher negra a ocupar este lugar em 57 legislaturas do parlamento gaúcho. Durante 30 minutos, Bruna falou sobre sua trajetória pessoal e política para discutir os desafios das mulheres negras no legislativo, um espaço majoritariamente masculino e branco.

Eleitas em outubro de 2022, Bruna e Laura Sito (PT) foram as primeiras deputadas estaduais negras em 87 anos de ALRS. Em 31 de janeiro, dia em que tomou posse, Bruna relatou que, por diversas vezes, a “falta” a atingiu. “Eu sou a prova que com investimento a nossa juventude pode sonhar. É sobre sonho, luta, mas também sobre um estado que precisa se fazer presente”, disse, na ocasião.

Em seu Grande Expediente, voltou a recuperar sua história. “Sou uma mulher preta retinta de 35 anos. Nasci, cresci e me tornei mãe na Vila Tronco, periferia da Grande Cruzeiro, zona sul de Porto Alegre. Sou filha de empregada doméstica que se tornou gari e que até hoje é trabalhadora da limpeza urbana de Porto Alegre. Sou uma das inúmeras filhas das políticas sociais”, contou, ao introduzir sua fala.

Bruna também relatou que seu principal desafio e meta é desconstruir o racismo estrutural, por meio de políticas públicas. “Falar sobre o quanto o racismo invisibilizou o povo preto gaúcho e brasileiro é falar sobre marcas que constroem as relações de poder até hoje. É falar sobre o quanto a política ainda é um ambiente hostil à nossa presença, à nossa voz e às nossas pautas. É saber que, para gente como eu, a Laura e o Matheus, tudo será mais difícil”, disse, em referência à Bancada Negra, que integra.

 

Edição: Sul 21