Rio Grande do Sul

CORONAVÍRUS

Governador Eduardo Leite muda indicadores do distanciamento controlado

Mudanças diminuem margens, facilitando que regiões alcancem as bandeiras vermelha ou preta que indicam maior risco

Brasil de Fato | Porto Alegre |
Governador Eduardo Leite durante coletiva em que anunciou as mudanças nos indicadores - Foto: Reprodução

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), anunciou em transmissão feita pelas redes sociais nesta quinta-feira (11) que o modelo de distanciamento controlado passará por mudanças a partir da próxima alteração, prevista para este sábado (13). As mudanças diminuem margens de avanço dos indicadores observados pelo modelo para mudança de bandeiras, o que torna mais fácil regiões alcançarem bandeiras vermelha e preta (os dois níveis mais graves). Por outro lado, facilita redução da bandeira laranja para amarela (o menor nível) em regiões com a situação mais controlada.

Leite iniciou a transmissão dizendo que, entre os dois últimos boletins epidemiológicos divulgados pela Secretaria Estadual de Segurança (SES), cresceu de 22,9% para 24,8% o percentual de leitos de UTIs no RS ocupados por pacientes confirmados de coronavírus ou sob suspeita, o que é considerado um dos principais indicadores no monitoramento feito pelo governo do Estado. Além disso, destacou que, ao se aproximar da conclusão da 5ª semana do distanciamento controlado, o governo chegou a conclusão de que era preciso fazer ajustes no modelo.

Ex-secretária de Planejamento e atual coordenadora do Comitê de Dados do Gabinete de Crise, Leany Lemos explicou que a revisão nos indicadores ocorre a partir do monitoramento e de projeções feitas pelo governo e que é feita para dar mais segurança, simplificar indicadores, conseguir maior aderência aos objetivos do modelo e reduzir os riscos de esgotamento. Segundo ela, as mudanças, que serão de três tipos, se fazem necessárias para que o RS possa conviver melhor com o vírus sem estabelecer um risco de “lockdown completo”, isto é, a imposição de restrições mais duras uniformes em todas as regiões.

Mudança 1: regras

O primeiro tipo de mudanças ocorre no cálculo do avanço de indicadores usados para aferir qual bandeira será atribuída para cada região. A primeira ocorre no indicador que calcula o crescimento de hospitalizações. Pelo modelo em vigor, uma região só passa da bandeira amarela para laranja se as hospitalizações por covid-19 crescerem entre 0% e 50% de uma semana para a outra. Para subir da bandeira laranja para amarela, entre 50% e 100% e, para a preta, acima de 100%. Com a mudança, basta um aumento entre 5% e 20% para migração para bandeira laranja, de 20 a 50% para bandeira vermelha e acima de 50% para bandeira preta.

Vale salientar que a subida neste indicador não indica que uma região terá a mudança na cor da bandeira, pois o cálculo é feito a partir da média dos 11 indicadores.

O segundo indicador que terá seu cálculo modificado é o de leitos de UTI para covid-19 não utilizados. Atualmente, a mudança da bandeira amarela para laranja nesse indicador ocorre quando o número de leitos livres cai entre 0% e 25% de uma semana para a outra, a mudança para vermelha quando cai entre 25% e 50% e para bandeira preta quando reduz em mais de 50%. Com a mudança, uma queda de até 20% nos leitos livres representará uma situação de bandeira laranja, de 20% a 30% de bandeira vermelha e, acima desse percentual, de bandeira preta.

Leite disse que o governo entendeu que é preciso ter indicadores “mais sensíveis” para dar maior segurança ao modelo.

Mudança 2: indicadores

O segundo tipo de mudanças ocorre na estrutura de quatro dos 11 indicadores adotados pelo modelo. O primeiro indicador alterado é o de óbitos, que antes levava em conta as mortes registradas nos sete dias anteriores à atualização das bandeiras e, agora, também levará em conta projeções para os 14 dias seguintes. Segundo Leany, o indicador atual reflete o cenário da epidemia com defasagem, visto que mortes são resultados de contaminações que ocorreram semanas antes. “É um indicador bom para mostrar como estamos, mas não é bom para mostrar como será”, disse Leany, acrescentando que o novo indicador permitirá antecipar os efeitos do avanço da pandemia.

A segunda mudança é no indicador que mede o estágio de evolução da pandemia. Até o momento, este indicador levava em conta os casos ativos no dia anterior à atualização das bandeiras. Contudo, como há uma defasagem grande entre os dados registrados por municípios e pelo Estado, a partir de agora será levado em conta o número de casos ativos durante a semana anterior à atualização.

Por fim, os dois últimos indicadores modificados dizem respeito ao número de leitos de UTIs para covid-19 livres no Estado e em cada macrorregião. Até o momento, o indicador para uma região ponderava no cálculo o número de idosos para cada 100 mil habitantes. Agora, os dois indicadores irão utilizar o número de leitos ocupados por pacientes de covid-19, o que, segundo Leany, é melhor para avaliar a possibilidade de um eventual colapso no sistema de saúde.

Mudança 3: gatilhos

Por fim, o último tipo de mudanças ocorre em gatilhos usados pelo governo para controlar a mudança de bandeiras. A primeira delas reduz de cinco para três o limite de novos registros de hospitalizações por covid-19 para redução da bandeira laranja para a amarela. Já a segunda torna mais difícil a redução para uma região que atingir as bandeiras vermelha ou preta. Atualmente, a migração de uma destas bandeiras para um estágio anterior poderá ocorrer a cada semana. Com a mudança, uma região só poderá deixar estas bandeiras depois de duas semanas de redução dos indicadores. Segundo Leany, essa é uma medida de cautela que busca evitar reações a “falsas melhoras”.

Ao final da apresentação, Leany ponderou que, mesmo que os novos indicadores estivessem em vigor nas revisões realizadas nos dias 6/6 e 30/5, o cálculo final das bandeiras não teria sofrido expressivas modificações. Contudo, diz que teria sido percebido um “escurecimento” de diversos indicadores, o que indica que as próximas semanas poderão trazer mudanças mais expressivas.

Já o governador Eduardo Leite disse que o governo estuda ainda a possibilidade de permitir um salto de duas bandeiras (amarela para vermelha ou laranja para preta) no caso das projeções apontarem para um esgotamento de leitos nos próximos 14 dias. Contudo, afirmou que isso ainda não estava definido. Além disso, frisou que não há previsão para um retorno “à normalidade”, descartando, por exemplo, qualquer prazo para a disputas esportivas com público. “Tem pessoas que acham que voltamos ao normal e não voltamos, de maneira nenhuma, ao normal. Nós ainda estamos distantes a uma volta à normalidade”, disse o governador.

Edição: Sul 21